Hóruszonti

sábado, 7 de outubro de 2017

Nego maiorem

aut prudenti

É preciso mesmo atingir o cerne
chegar a raiz da crítica
contundente e destrutiva.

Chega destes mesmos ídolos,
incutidos, obrigatórios
como propaganda
ostensiva e política
de juízos peremptórios.

A ideia é como um rio
imantado de sentimento.

Desemboca no mar
e na multidão
como o lampejo
de algo muito necessário,
inda que não lhe aperceba
senão o nosso vazio
onde cresce
como um lume
que se alimenta
com a menor
e a mais nova
ou qualquer sensação.

A vida se lhe sente com a ponta dos dedos
que estalam feito pedras

Logo se inflama,
alardeia e infla,
até que de tanta sedução 
e mentira
conquista o coração,
e se agiganta na mente
que não cabe mais ao corpo.

Não é o êxtase do poeta,
em seu divino arroubo,
nem o do místico ou do profeta.

É daqueles para quem
é preciso pensar fora da caixa...
craniana, por certo...

Como se já soubesse
o desfecho, 
entre tantas coisas,
para a materialista querela,
segue a turba cega.

Decidiram "pensar",
como o ruminante que pasta,
ora com a genitália
aliada ao estômago,
ora com o peito
inflamado de raiva,
ou atado o dedo à inveja -
tudo isso porque,
dizem a si mesmos
que têm com que não sucumbir
a trabalho ou fome,
coisas as quais julgam
ociosas e indignas de sua specie

E nisto atingimos o âmago
da estupidez humana.

Veja você.

Já se sabe, assim mesmo,
que toda a crítica
é a insatisfação que motiva.

Só nos resta saber...
se é ao próprio ego
ou ao estado de coisas
que a si não satisfaz.

O que afirmo? 
Que eu nego?

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Concipere

Vida e inteligência,
uma e a mesma deidade,
calcula aí a idade!

O azul celeste é luz ou cor?
A pele é ela mesma, barro ou flor?

É isso que vejo ou nunca foi?
Não tem jeito...
Lá se vai o vão conceito.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Segunda Navegação

Sinto-me nascido a cada momento... Fernando Pessoa

Não se pode calar o que fala em silêncio.
Quanto chora a alma até que não mais a ouçamos?
Estive a ouvi-la como uma criança em mim...
Uma criança aos prantos em meio a escombros.
Uma criança que ainda não nasceu
e que tampouco poderia morrer.

Esses escombros,
meras sombras de apegos
a um mundo rígido como pedra,
- sem a metáfora -,
é um esquecimento concreto,
sinal sem referente
e alheio a efusão sonora.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ego

Haverá algum extrato irredutível do ego?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ser

Aos que o procuram no mundo,
e aos que o negam:

o ser não está nem aí.

sábado, 12 de maio de 2012

Morning Dew

O orvalho é da natureza
um aceno
que sobe ao céu com o sol,
num gesto claro
de antiga correspondência.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012