Isto de que somente eu sei servir-me
que a noite embala e ao dia promete.
A minha crueldade supera e muito
o que imaginam.
Quando com ele ela se trai
quase vive bem,
e pelo mundo vai...
Só demanda que a levem
pela mão na ida de volta
quando vem:
êmula, schöne und köstliche.
As mulheres, apesar de
aparentemente
compactuarem,
abominam o establishment.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Hedonismo II (reeditado)
Como se costumava rir
no Egito Antigo: "Rá".
O meu doar-se não é como o do moderno hedonista.
Não é uma compensação
(nas palavras do meu principal interlocutor)
para uma falta.
Não quero expor meu corpo
[grosseiramente]
a elevadas condições de tempo,
espaço e pressão,
dissonâncias,
combustão,
agressão,
frutos da apatia
& do não saber em que consiste o que é gozado;
[porque não saibam afinar as frequências
e trabalhar no ritmo e nas velocidades...
Na sanha desavinda de desejar o morre cedo,
não ingresso
& me afasto para o forte e vivo.
Estou presente
apenas onde estou de todo,
alí me faço,
e me doo no meu melhor,
no que digo por estar inteiro,
não ébrio de pobre [retórica sensista]
a não mais poder unir
o que é belo unir
[mudo e surdo
à peripécia da criança luzente
que é a natureza,
na inércia asséptica do esteta].
O mover-se muito não é mover-se melhor.
O melhor depende de sua infinita seleção.
Hedonismo II
O meu doar-se não é como o do moderno hedonista.
Não é uma compensação
(nas palavras do meu principal interlocutor)
para uma falta.
Não quero expor meu corpo
[grosseiramente]
a elevadas condições
de tempo, espaço e pressão,
dissonâncias, combustão,
agressão, frutos da apatia
& do não saber em que consiste
o que é gozado;
[porque não saiba afinar as frequências
e trabalhar no ritmo e nas velocidades...
na sanha desavinda de desejar
o morre cedo, não ingresso
& me afasto para o forte e vivo.
Estou presente apenas onde estou de todo,
alí me faço, e me doo no meu melhor,
no que digo por estar inteiro,
não ébrio de pobre [retórica sensista]
não poder unir o que é belo unir
[mudo e surdo à peripécia
da criança luzente que é a natureza,
na inércia asséptica do esteta].
O mover-se muito não é mover-se melhor.
O melhor depende de sua infinita seleção.
É preciso experimentar aquilo que é
o mais prazeiroso, dizia Epicuro,
& tornar-se senhor do que é mais forte
não como quem precise disto fruir
a todo instante, pois gozar
é não saber o que é gozado.
O único saciar-se seria o saber.
O que nos diz que a saidade
é não haver o que sacia a ânsia
que desembainha o coração ao peito.
A Hybris!
O que os tolos que a buscaram nunca foram,
isto que é, o que se tende a visar é o visível,
aquilo mesmo que permite ver,
assim o olho não pode ver o ser-visto,
exceto que sejas o outrem do agora suceder.
Nem sequer acredito nos jovens,
nem em meus contemporâneos,
nem daqueles que não conseguem
expressar o que pensam em português,
alto, claro e belo de difícil.
Subterfúgios e trejeitos afetados são
os artifícios espectrais dos não-seres.
O que é a sede para a sede?
E a sede para o ter-se fome?
O que é necessário e o que contingente?
O capitalismo só não conseguiu colonizar
o mundo onírico e o sonhar, última divisa
íntima já que a civilização é um conjunto
de mínima extensão perante o inato,
o instinto.
Só não amo tanto o que sozinho sou
como o que é também teu,
ó tu que realmente importa!
As palavras importam dez vezes menos
que o saber sentir,
cobrem-te apenas a beleza como adorno,
embeber-lhe e mel
& sorver-te tal laboriosa abelha
versada em seus haveres.
Sou feliz a cada giro atual em que
Passo a habitar-lhe a imagem.
Não é uma compensação
(nas palavras do meu principal interlocutor)
para uma falta.
Não quero expor meu corpo
[grosseiramente]
a elevadas condições
de tempo, espaço e pressão,
dissonâncias, combustão,
agressão, frutos da apatia
& do não saber em que consiste
o que é gozado;
[porque não saiba afinar as frequências
e trabalhar no ritmo e nas velocidades...
na sanha desavinda de desejar
o morre cedo, não ingresso
& me afasto para o forte e vivo.
Estou presente apenas onde estou de todo,
alí me faço, e me doo no meu melhor,
no que digo por estar inteiro,
não ébrio de pobre [retórica sensista]
não poder unir o que é belo unir
[mudo e surdo à peripécia
da criança luzente que é a natureza,
na inércia asséptica do esteta].
O mover-se muito não é mover-se melhor.
O melhor depende de sua infinita seleção.
É preciso experimentar aquilo que é
o mais prazeiroso, dizia Epicuro,
& tornar-se senhor do que é mais forte
não como quem precise disto fruir
a todo instante, pois gozar
é não saber o que é gozado.
O único saciar-se seria o saber.
O que nos diz que a saidade
é não haver o que sacia a ânsia
que desembainha o coração ao peito.
A Hybris!
O que os tolos que a buscaram nunca foram,
isto que é, o que se tende a visar é o visível,
aquilo mesmo que permite ver,
assim o olho não pode ver o ser-visto,
exceto que sejas o outrem do agora suceder.
Nem sequer acredito nos jovens,
nem em meus contemporâneos,
nem daqueles que não conseguem
expressar o que pensam em português,
alto, claro e belo de difícil.
Subterfúgios e trejeitos afetados são
os artifícios espectrais dos não-seres.
O que é a sede para a sede?
E a sede para o ter-se fome?
O que é necessário e o que contingente?
O capitalismo só não conseguiu colonizar
o mundo onírico e o sonhar, última divisa
íntima já que a civilização é um conjunto
de mínima extensão perante o inato,
o instinto.
Só não amo tanto o que sozinho sou
como o que é também teu,
ó tu que realmente importa!
As palavras importam dez vezes menos
que o saber sentir,
cobrem-te apenas a beleza como adorno,
embeber-lhe e mel
& sorver-te tal laboriosa abelha
versada em seus haveres.
Sou feliz a cada giro atual em que
Passo a habitar-lhe a imagem.
Dança
O homem quando dança com uma mulher,
ele dança com uma mulher.
A mulher quando dança com um homem
traz consigo a multidão, preocupada.
Quando um homem pensa numa mulher
ele pensa em todas elas.
A mulher quando pensa em um homem
avalia a extensão de sua corte.
ele dança com uma mulher.
A mulher quando dança com um homem
traz consigo a multidão, preocupada.
Quando um homem pensa numa mulher
ele pensa em todas elas.
A mulher quando pensa em um homem
avalia a extensão de sua corte.
Hedonismo
Não admiro nenhum jovem que se diga hedonista.
Em suas palavras toda afirmação é uma falta.
O moderno hedonismo é um suscedâneo do mercado.
Trata-se o corpo segundo a norma do consumo.
Se se quer experimentar os limites,
saiba-se o limite da resistência dos materiais.
Querem viver os limites do consumir-se
e perdem-se nas periferias do poder,
tão alijados do ponto onde tudo acontece.
Conheci uma jovem que cheirava a combustão.
Os romanos, ricos em experiências, sabiam
o que é o prazer?
Os modernos conseguem ser mais pobres
que os medievais - disse um amigo.
Pois vivem o que crêem tão somente
na situação em que se sentem parte.
O privado é o que e como 'possuem'.
O prazer que nunca 'têm' é a falta,
como o que compram porque não gozam.
Combustão pobre e efêmera,
feita de suspiros, uma foleira,
que deitar fora o sopro,
é qual uma freira,
o ato e o olhar de hábito réprobo.
Os que se iram e gritam para que
o mundo desapareça, os que condenam
todos ao inferno de suas esperança,
malogrados, são ressentidos e afetados
como poucos, e o grito,
está aí!
Em nada se distinguem da massa informe.
A crítica deixa após sua entrada triunfal
a segar as messes podres, o rico e plácido
caminho por onde as jóias passarão.
O negativo é só uma fase,
coisa de crianças que
foram arrancadas cedo
do seio a que ainda anelam.
A imperícia e insegurança da juventude!
Os romanos tinham o Circus Maximus.
Os modernos tem essa hemorragia interna
porque não sabem dar vazão.
A indiferença a eles congemina,
e a pobreza segue aqueles que
já não podem significar suas vivências.
Nada se repete (nem retorna como mesmo)
nem uma sensação é idêntica,
quando é preciso que tudo mude
para que cada coisa permaneça o que é,
mudo, mas não mudo tanto,
tranformo o diferente no igual,
devido ao meu metabolismo:
a tua dieta é o que importa,
dize-me o que comes e eu te direi que és.
Em suas palavras toda afirmação é uma falta.
O moderno hedonismo é um suscedâneo do mercado.
Trata-se o corpo segundo a norma do consumo.
Se se quer experimentar os limites,
saiba-se o limite da resistência dos materiais.
Querem viver os limites do consumir-se
e perdem-se nas periferias do poder,
tão alijados do ponto onde tudo acontece.
Conheci uma jovem que cheirava a combustão.
Os romanos, ricos em experiências, sabiam
o que é o prazer?
Os modernos conseguem ser mais pobres
que os medievais - disse um amigo.
Pois vivem o que crêem tão somente
na situação em que se sentem parte.
O privado é o que e como 'possuem'.
O prazer que nunca 'têm' é a falta,
como o que compram porque não gozam.
Combustão pobre e efêmera,
feita de suspiros, uma foleira,
que deitar fora o sopro,
é qual uma freira,
o ato e o olhar de hábito réprobo.
Os que se iram e gritam para que
o mundo desapareça, os que condenam
todos ao inferno de suas esperança,
malogrados, são ressentidos e afetados
como poucos, e o grito,
está aí!
Em nada se distinguem da massa informe.
A crítica deixa após sua entrada triunfal
a segar as messes podres, o rico e plácido
caminho por onde as jóias passarão.
O negativo é só uma fase,
coisa de crianças que
foram arrancadas cedo
do seio a que ainda anelam.
A imperícia e insegurança da juventude!
Os romanos tinham o Circus Maximus.
Os modernos tem essa hemorragia interna
porque não sabem dar vazão.
A indiferença a eles congemina,
e a pobreza segue aqueles que
já não podem significar suas vivências.
Nada se repete (nem retorna como mesmo)
nem uma sensação é idêntica,
quando é preciso que tudo mude
para que cada coisa permaneça o que é,
mudo, mas não mudo tanto,
tranformo o diferente no igual,
devido ao meu metabolismo:
a tua dieta é o que importa,
dize-me o que comes e eu te direi que és.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Mar
A existência é um mar.
Falo do mar, pois toda fala é falta.
Assim, busco o entendimento,
pois de outro modo, religião.
A literatura deve-se ao mínimo contato,
excetuando a total consubstanciação,
o que é impossível,
enquanto a religião,
união pura,
não deve nada a outrem.
O oceano é pai dos deuses,
O oceano é pai dos deuses,
e mãe terra, dera origem aos homens,
uma vez que não há outros deuses
senão aqueles na medida do Homem.
O primeiro Homem, por conseguinte é Deus.
O vento traz o mar a terra, sua prometida.
Para além do oceano o ilimitado,
carente por delimitar-se,
confunde-se com nada,
que nada é além de coletivo da indeterminação.
Isto posto, tudo o que delimita, é.
Em busca de reconciliar-me
Isto posto, tudo o que delimita, é.
Em busca de reconciliar-me
com o movimento primitivo,
saio do mar e vindo aportar na terra,
tendo visos de totalidade
que não se pode abarcar,
tomo o barco que é minha visão estreita
& remo, não ermo.
Que me importa não o ver a tudo,
se a seleção é que importa?
Ver é hierarquizar.
A noite, seus dedos intangíveis,
Ver é hierarquizar.
A noite, seus dedos intangíveis,
a escuridão, e o frio que dá na alma
vêm a minha face tocar,
a ventania não permite ao mar sossego,
eis sua maldição: o contínuo movimento.
Queria ele descansar, não dorme,
e eis também a inveja que o afeta às suas criaturas.
Curioso, o mar se pôs ao largo,
Curioso, o mar se pôs ao largo,
e em ondas vem beijar sua amada.
Dirijo-me o mais que posso ao longe.
Lá chegando, amaino as velas.
Dirijo-me o mais que posso ao longe.
Lá chegando, amaino as velas.
Como asas que se fecham,
em busca de aquecer ao mastro
que contra a noite fria se lança,
fecho os olhos, e a embarcação balouça.
O equilíbrio depende do que é ouvido,
não determinar distâncias em meio ao mar
é idiotice, as estrelas nem sempre nos contam
em sua língua cósmica tremeluzente
através do marulho do mar incerto,
reflexo de sua extensão fremente.
Ainda com os olhos fechados,
algo pesa sobre o meu ombro.
Esse constelado olhar penetrante,
Esse constelado olhar penetrante,
a quem se designou assustar?
Cicia o vento o mar,
Cicia o vento o mar,
desatado, em nada surdo.
As ondulações chocam-se
com o pobre barco a vel
a que pretende se expandir.
A respiração é para o ar
A respiração é para o ar
o que a chaminé é para a lareira...
Abro os olhos.
Cheio de mim, quase me basto.
Abro os olhos.
Cheio de mim, quase me basto.
Indiferença é estupidez e desgaste
dos engates.
A vastidão é medida
pelo marulho
& o vento que se alastra,
para todos os lados, ladeia,
fareja e afasta-me também de mim.
A minha pretensão a divindade,
A minha pretensão a divindade,
desde que solitária,
desde que tudo
penetrando pelos sentidos
se confundem, e não cessa.
Nesse instante crio o Homem.
Preciso de um espelho.
Eis que lembro-me da Lua.
Ela delimita as minhas pretensões
Nesse instante crio o Homem.
Preciso de um espelho.
Eis que lembro-me da Lua.
Ela delimita as minhas pretensões
a ser um com o Todo,
pois devolve-me os limites,
e minhas cadeias aperta,
com suas críticas injustificáveis,
como quem não me conhece,
tão justas.
Desfraldo as velas.
Devo ter com ela antes o fim da tarde.
Ela, iracunda, não me perdoará o atraso.
Guardará o jantar,
Desfraldo as velas.
Devo ter com ela antes o fim da tarde.
Ela, iracunda, não me perdoará o atraso.
Guardará o jantar,
e também não se entregará,
exceto com violência,
para compensar a falta de cortesia.
O sol rosado fende a nuvem que torna ser branca.
As nuvens que ao horizonte encapelam
O sol rosado fende a nuvem que torna ser branca.
As nuvens que ao horizonte encapelam
são uma oração
& emblema do pensamento
que se reflete no mar nas grandes vagas
e nas convexidades da Lua.
Azul de elucubrar imagens toscas,
Azul de elucubrar imagens toscas,
farto de cópias postergadas,
roxo de resistir ao açoite de seu corpo,
vermelho a face de suas palavras,
ela lânguida toma-me o espelho
seu direito conexo de compartir
de meu poder luminoso.
Seu sorriso é qual uma manhã
Seu sorriso é qual uma manhã
que se colore farta
& referta em paleta imponente.
Silenciosa a sazão retém a colheita seleta.
No pano de fundo onde se atrelam
No pano de fundo onde se atrelam
em um tempo abismal as estrelas,
deu-se o atrevido a fazer corarem todas elas,
& até hoje,
alternam-se as cores, suas,
em sim e não de empréstimo,
às representações de meus estados de alma
com o gênio do ânimo meu.
Tudo se deve ao sal e o mercúrio filosófico.
Tudo se deve ao sal e o mercúrio filosófico.
Moira III
Dar-me-ia ao movimento temerário,
descrever ativamente o que percebo
como tendo índole aparente do placebo
que nos faz perder as margens do rio.
As linhas se dissolvem não sou sujeito,
não há objetos externos, manopla do ativo
molda no gesto tudo o que é de proveito,
as sútis marcas indeléveis de paixão e motivo.
Cedo, infame, ao abuso da imagem.
Vem-me a Esfinge, o que ela busca?
A multidão abre passagem, estou à sua frente.
Ela não me olha, antes já para si me guardara.
Avança em fito reto, e entre a catarata maior
de sua madeixa, o dedo ao nariz perfila
como que para indicar me interpelarem o ar
do olhar e a direção, e cedo as amigas,
as infatigáveis pirâmides, guardiãs como tu
do horizonte, orgulho dourado do arenoso
dorso deserto oceano cúbico de arestas sibilantes
haveriam de unir-se-lhe a boca ao ouvido
dos tempos a certeza do flerte ao ouvidar.
Ó Senhora das Distâncias,
Espelho de Prata Rotundo,
Arremessa-me ao canto profundo,
pois imenso é o espanto
ao romper o certame das estâncias
a presença do alento eterno.
F.
descrever ativamente o que percebo
como tendo índole aparente do placebo
que nos faz perder as margens do rio.
As linhas se dissolvem não sou sujeito,
não há objetos externos, manopla do ativo
molda no gesto tudo o que é de proveito,
as sútis marcas indeléveis de paixão e motivo.
Cedo, infame, ao abuso da imagem.
Vem-me a Esfinge, o que ela busca?
A multidão abre passagem, estou à sua frente.
Ela não me olha, antes já para si me guardara.
Avança em fito reto, e entre a catarata maior
de sua madeixa, o dedo ao nariz perfila
como que para indicar me interpelarem o ar
do olhar e a direção, e cedo as amigas,
as infatigáveis pirâmides, guardiãs como tu
do horizonte, orgulho dourado do arenoso
dorso deserto oceano cúbico de arestas sibilantes
haveriam de unir-se-lhe a boca ao ouvido
dos tempos a certeza do flerte ao ouvidar.
Ó Senhora das Distâncias,
Espelho de Prata Rotundo,
Arremessa-me ao canto profundo,
pois imenso é o espanto
ao romper o certame das estâncias
a presença do alento eterno.
F.
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