sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Íris

Tua ânsia em irada Íris,
fere com ás de espada
quem me fere os astros
e coroa a balaustrada.

Quando partires lírios
vossos jazerão em vasos
de lustrosos alabastros
que choram a cabeleira

de fio solar te trará basta,
qual negra cachoeira
triste em planície cega,

fria, surda e seca poeira
que ao trigo trairá a sega,
ao orvalho beberá a hasta.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma geração

Antes de ir à guerra, meus senhores,
gerem seus filhos em vossas senhoras.

A Guerra é a Morte pela Vida.
Os Senhores, os Verdadeiros.
Seus Filhos também belos discursos.
E Vossa é a Pátria,
e a Geração que a Ela se consagra;

O Diadema de Glória
é o Espelho de Tua Realeza.

Com a Graça do Altíssimo,
F.'.

domingo, 16 de maio de 2010

Ars II

Em toda parte a fartura está
sempre em destaque.

Nasce como flecha que parte.
Estilingada lança com arte
a grave forma
e cai ao solo
para que se alce, pérola
de íntegra beleza.

O metal frio domina
e no papel lento dobra
a vereda em esquina,
sublime entalhe da obra.

Tomei à águia em pleno ar
a formosa e leve pena.
Fiz de tudo, ondeei o mar,
dobrei o horizonte,
diferi céu e terra,
à sina do homem, amém;
cingi sua fronte,
e o fiz amar como quem erra.

Não servem as palavras
sem que lhes acompanhe
o espírito.

Vincos de ouro são estrelas,
dobras das vestes dela,
pérolas de seus olhos
livres como que vertem
luzes em vasos.

Rasos para que não ocultem
os meus que a chama em risos
ao enlace a cintura cingem.

Tuas pernas são a vertigem
em pilares...

Teu sorriso é o aroma da manhã.

Exangue de ter se entregue ao céu
ela deita-lhe o peito que é nuvem.

Seco o ânimo singelo
que viceja
no sopro quente do sol.

Fria a Terra Úmida
pelo orvalho
que cobre a manhã
com um beijo.

Vapor morno
que sobe ao alto
graças ao forte
e sublime anseio.

Frater F.'.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

domingo, 25 de abril de 2010

Ouribori

A Veronique
e não aos tolos
que crêem
ter tido isso
algum começo

Tua face plácida
é outro eco
doutra vida
em que me perco,
nas sinuosas voltas
destas ouribori
com que te vestes...
minha sombra ecoa...

Soa o pequeno gesto
dirigido às peles
que tua vida povoa.

Por mais que desde ontem
me doa, não são mais
que folhas soltas
de caderno breve,
vento frio que se atreve
e com desdém nos sorri...

F.'.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Das Ilhas Bem Aventuradas

Acho que não há onde não consiga chegar. Mas me revoltei contra essa ideia e vim direto para casa. Tudo é distância. Para alguns o mundo, o espaço entre as coisas é mais amplamente preenchido. Ainda que aparentemente o paradoxo de não haver vácuo faça com que tudo o que há seja infinitamente divisível, nada se toca. Somos os espaços menos densos entre átomos. A superfície, o contato mínimo, ainda que paralelo seja, o eminentemente plano é rugoso. As dobras nos seres esféricos fazem delas os encaixes infinitamente seletivos. Oxalá, assim o fosse! Os raios luminosos tornam-se cordas quando aquecem, enquanto engates atam e com laços cinge ele a cintura violenta do Cabo das Tormentas. O nauta é seta quando parte e gancho quando aporta, âncora que é pequena pausa no fluxo enquanto a nave possuída abebera. Pela falta de uma palavra melhor: singro éter por todos os lados. Eras e teares, muitas telas me atravessam. As Moirai! Quantas vezes para mim teceram vestes?! Quantas estadias em um carrossel de bêbedos! Não estou farto. Estou leve. Alguma coisa prognostica meus breves olhos, oráculo em forma afim às novas abóbadas. Reverberam já os veículos conforme altas estâncias benfazejas. A música é minha ama, com seus bálsamos despeja nestes odres esbeltos o transparente odorífero. Ela entrelaça, desdobra e transporta-me esguio e terrível como quem morre para os profanos.

F.'.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Anno Lucis

O Divino é o lado ativo da Força-Luz,
outra é a coroa da Natureza.


Campina Grande, 07 de abril de 6009 Anno Lucis.