O orvalho é da natureza
um aceno
que sobe ao céu com o sol,
num gesto claro
de antiga correspondência.
sábado, 12 de maio de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Palco da Morte/ ou Orações Fúnebres
Cristoph Männling
"Wer diese gebrechliche Hüten/
wo das Elend alle Ecken zieret/
mit einem vernünftigen Wortschlusse wollte begläntzen/
der würde keinen unförmlichen Ausspruch machen/
noch das Zielmass der gegründeten Wahrheit überschreiten/
wann er die Welt nennte einen allgemeinen Kauffladen/
eine Zollbude des Todes/
wo der Mensch die gangbahre Wahre/
der Tod der wunderbare Handels-Mann/
Gott der gewisseste Buchhalter/
das Grab aber das versiegelte Gewand und Kauff-Hauss ist."
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
De quem sou eu
Um meu corpo numa alma, e erro.
Sou uma alma errática num corpo.
O que sou?
Eu nu.
Ego noû, s…
O que eu sinto?
Ah, o que eu sinto!
Ah, o que eu sinto!
Oh…
Quando muito, minto.
Deserto de mim.
Livrai-me D’eus.
Desapego.
Se houver enterro,
Não chora amor,
[Que não vale] a dor
esse desterro.
O meio que se basta
É grosseiro,
Assim como o inteiro
Que se afasta,
Por que meio?
Se me basto
em tua vasta cabeleira,
caudal de estrelas,
na noite fria,
em teu plenilúnio
prenuncias infortúnio.
em teu plenilúnio
prenuncias infortúnio.
Trás os montes,
tuas arrogantes silhuetas,
qual babilônico véu
com que me acalentas
com violentas velas.
Barca oceânica,
cavalos nágua,
cavalos nágua,
quantas miragens,
meu espírito contém?
Paisagens...
Tantas paragens,
passagens
de que sou refém!
Somente o céu
que beija a maré
segue além.
segue além.
Firma irmã do sonho a rima.
Navegantes astrais, uni-vos.
Às incompetências mundanas,
risonhos questionemos:
acaso traficais o dia,
acaso traficais o dia,
para trafegar a noite,
qual morcegos?
qual morcegos?
Parte-tu desta guerra
que nega a terra
e que nos tempera,
que nega a terra
e que nos tempera,
era pós era,
e segue a outro cais.
Rejeita a prata e o ouro
produtos de tantos roubos
e subornos...
e investe em copas os ases
de teus dias...
Fiz teu mapa no compasso:
em Vênus és mais sábia
e segue a outro cais.
Rejeita a prata e o ouro
produtos de tantos roubos
e subornos...
e investe em copas os ases
de teus dias...
Fiz teu mapa no compasso:
em Vênus és mais sábia
e se te avizinha Mercúrio,
psicopompo majestoso,
psicopompo majestoso,
tu sais ao Sol
que a tua efigie refrigera.
que a tua efigie refrigera.
domingo, 28 de agosto de 2011
Domingo
Soa o primeiro dó
que é também o último.
Na escala setenária
a oitava é o princípio.
Eis o Alfa e o Ômega.
Não fosse o Domingo
não acordaríamos na segunda.
É o dia da seriedade maior.
Degrau para o salto
de quem busca alento,
é o preciso talento
do ser musical.
A oitava é o laço
que eleva o passo.
Como no ar
intervém o tom
é preciso amar
para ouvir o som...
Ruidoso abraço
que de si expande
os dois únicos amantes,
desde cedo como antes.
É preciosa a primeira nota.
A natureza ecoa em resposta:
se desces ela refrigera,
se sobes ela enlanguesce.
A última nota ninguém a verá
pois ela é o anverso da primeira.
Como os que se procuram era
trás era, e do abismo vivem a beira,
nunca será deselegante levantar-se
na segunda feira.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
TzimTzum
Naquele que não dorme
se encontra a soma
de todas as tensões,
a própria harmonia,
essa fluente guerra
de pares e espelhos.
Fecha os olhos, e o vento uiva.
Esquece o tom, tua alma sonha.
A sibilar a voz o antigo oráculo,
na noite límpida do único som,
lembras que audição e ouvinte
são um e ela mesma, a insônia.
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