terça-feira, 8 de setembro de 2015

Segunda Navegação

Sinto-me nascido a cada momento... Fernando Pessoa

Não se pode calar o que fala em silêncio.
Quanto chora a alma até que não mais a ouçamos?
Estive a ouvi-la como uma criança em mim...
Uma criança aos prantos em meio a escombros.
Uma criança que ainda não nasceu
e que tampouco poderia morrer.

Esses escombros,
meras sombras de apegos
a um mundo rígido como pedra,
- sem a metáfora -,
é um esquecimento concreto,
sinal sem referente
e alheio a efusão sonora.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ego

Haverá algum extrato irredutível do ego?

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ser

Aos que o procuram no mundo,
e aos que o negam:

o ser não está nem aí.

sábado, 12 de maio de 2012

Morning Dew

O orvalho é da natureza
um aceno
que sobe ao céu com o sol,
num gesto claro
de antiga correspondência.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Palco da Morte/ ou Orações Fúnebres

Cristoph Männling

"Wer diese gebrechliche Hüten/
wo das Elend alle Ecken zieret/
mit einem vernünftigen Wortschlusse wollte begläntzen/
der würde keinen unförmlichen Ausspruch machen/
noch das Zielmass der gegründeten Wahrheit überschreiten/
wann er die Welt nennte einen allgemeinen Kauffladen/
eine Zollbude des Todes/
wo der Mensch die gangbahre Wahre/
der Tod der wunderbare Handels-Mann/
Gott der gewisseste Buchhalter/
das Grab aber das versiegelte Gewand und Kauff-Hauss ist."

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

De quem sou eu


Um meu corpo numa alma, e erro.
Sou uma alma errática num corpo.

O que sou?
Eu nu.
Ego noû, s…
O que eu sinto?
Ah, o que eu sinto!
Oh…
Quando muito, minto.
Deserto de mim.

Livrai-me D’eus.
Desapego.
Se houver enterro,
Não chora amor,
[Que não vale] a dor
esse desterro.

O meio que se basta
É grosseiro,
Assim como o inteiro
Que se afasta,
Por que meio?

Se me basto
em tua vasta cabeleira,
caudal de estrelas,
na noite fria,
em teu plenilúnio
prenuncias infortúnio.

Trás os montes,
tuas arrogantes silhuetas,
qual babilônico véu
com que me acalentas
com violentas velas.

Barca oceânica,
cavalos nágua,
quantas miragens,
meu espírito contém?

Paisagens...

Tantas paragens,
passagens
de que sou refém!
Somente o céu
que beija a maré
segue além.

Firma irmã do sonho a rima.

Navegantes astrais, uni-vos.

Às incompetências mundanas,
risonhos questionemos:
acaso traficais o dia,
para trafegar a noite,
qual morcegos?

Parte-tu desta guerra
que nega a terra
e que nos tempera,
era pós era,
e segue a outro cais.
Rejeita a prata e o ouro
produtos de tantos roubos
e subornos...
e investe em copas os ases
de teus dias...

Fiz teu mapa no compasso:
em Vênus és mais sábia 
e se te avizinha Mercúrio,
psicopompo majestoso,
tu sais ao Sol
que a tua efigie refrigera.