Ego sum qui sum = to sôma heliakon = sat purusha
gnoti seautôi te kai [et sapere aude] sôphrosynê
A única coisa que não perdemos
é aquilo que nunca temos.
Pois, logo que a tenhamos,
a perdemos.
Amor é desejo de algo que nos falta,
e assim como não se aprende
aquilo que de todo alguém ignore,
o que se visa é a beleza mesma
que se viu,
quando não se a vê.
Isto é esquecer que somos esquecidos.
Não ser, não saber,
ser opaco e sem verdade.
Recordar-se a própria indigência,
como condição congênita:
de que seja o esquecimento o corpo
que embota a visão presente.
O juízo que as imagens cambiantes
visa imobilizar, lança-nos fora da clareira,
onde cada coisa se mostra como é: nua,
em sua presença,
quer na voz ou em silêncio.
A presença que nenhuma palavra lavrada traz,
em cuja ausência, não somos.
Verdade é o gozo de alma e corpo,
quando não se separam no ato
e a alguém inflama o espírito.
Secreto rito,
a filosofia.
Fuga do mortal, Sophia, não se a toca,
nem vê,
nem se a perde,
por nunca alguém tê-la.
Sem o véu, mortal algum
um dia a viu,
sem estas vestes,
espere alguém um dia vê-la.
Ela é a verdade
que abre e é o próprio caminho,
inicio, estado e fim:
eterno processo,
com o perdão da expressão.
Qual Dafne para a Apolo,
que era todo alma e furor,
ela toda um corpo inteiro,
cuja canção, o teor nos escapa,
enfeitiça-nos o pobre engenho
e o coração temente cava.
sábado, 14 de dezembro de 2019
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Persigna
Signatum est
Desatar no coração todo nó
que velado siga,
em que encoberto persiga,
perdido o senso, a sina,
ou quanto persista alheio ao dom.
Quão mais pesada a sorte,
mais amada a vida.
Quão mais pensada a morte,
mais as partes,
as Moirai sentidas.
Desatar no coração todo nó
que velado siga,
em que encoberto persiga,
perdido o senso, a sina,
ou quanto persista alheio ao dom.
Quão mais pesada a sorte,
mais amada a vida.
Quão mais pensada a morte,
mais as partes,
as Moirai sentidas.
terça-feira, 26 de junho de 2018
terça-feira, 22 de maio de 2018
sábado, 7 de outubro de 2017
Nego maiorem
aut prudenti
chegar a raiz da crítica
contundente e destrutiva.
Chega destes mesmos ídolos,
incutidos, obrigatórios
como propaganda
ostensiva e política
como propaganda
ostensiva e política
de juízos peremptórios.
A ideia é como um rio
imantado de sentimento.
Desemboca no mar
e na multidão
e na multidão
como o lampejo
de algo muito necessário,
inda que não lhe aperceba
senão o nosso vazio
onde cresce
como um lume
que se alimenta
senão o nosso vazio
onde cresce
como um lume
que se alimenta
com a menor
e a mais nova
ou qualquer sensação.
A vida se lhe sente com a ponta dos dedos
que estalam feito pedras
e a mais nova
ou qualquer sensação.
A vida se lhe sente com a ponta dos dedos
que estalam feito pedras
Logo se inflama,
alardeia e infla,
até que de tanta sedução
e mentira
conquista o coração,
e se agiganta na mente
que não cabe mais ao corpo.
Não é o êxtase do poeta,
em seu divino arroubo,
nem o do místico ou do profeta.
É daqueles para quem
é preciso pensar fora da caixa...
craniana, por certo...
Como se já soubesse
o desfecho,
entre tantas coisas,
para a materialista querela,
segue a turba cega.
segue a turba cega.
Decidiram "pensar",
como o ruminante que pasta,
ora com a genitália
como o ruminante que pasta,
ora com a genitália
aliada ao estômago,
ora com o peito
inflamado de raiva,
ou atado o dedo à inveja -
tudo isso porque,
dizem a si mesmos
que têm com que não sucumbir
a trabalho ou fome,
coisas as quais julgam
ociosas e indignas de sua specie
ora com o peito
inflamado de raiva,
ou atado o dedo à inveja -
tudo isso porque,
dizem a si mesmos
que têm com que não sucumbir
a trabalho ou fome,
coisas as quais julgam
ociosas e indignas de sua specie
E nisto atingimos o âmago
da estupidez humana.
Veja você.
Já se sabe, assim mesmo,
que toda a crítica
é a insatisfação que motiva.
Só nos resta saber...
se é ao próprio ego
ou ao estado de coisas
que a si não satisfaz.
O que afirmo?
Que eu nego?
terça-feira, 12 de setembro de 2017
Concipere
Vida e inteligência,
uma e a mesma deidade,
calcula aí a idade!
O azul celeste é luz ou cor?
A pele é ela mesma, barro ou flor?
É isso que vejo ou nunca foi?
Não tem jeito...
Lá se vai o vão conceito.
uma e a mesma deidade,
calcula aí a idade!
O azul celeste é luz ou cor?
A pele é ela mesma, barro ou flor?
É isso que vejo ou nunca foi?
Não tem jeito...
Lá se vai o vão conceito.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Segunda Navegação
Sinto-me nascido a cada momento... Fernando Pessoa
Não se pode calar o que fala em silêncio.
Quanto chora a alma até que não mais a ouçamos?
Estive a ouvi-la como uma criança em mim...
Uma criança aos prantos em meio a escombros.
Uma criança que ainda não nasceu
e que tampouco poderia morrer.
Esses escombros,
meras sombras de apegos
a um mundo rígido como pedra,
- sem a metáfora -,
é um esquecimento concreto,
sinal sem referente
e alheio a efusão sonora.
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