sábado, 12 de dezembro de 2009

Dies Irae

"Lembra-te...

nos dias de tua mocidade,
antes que se te acheguem

os dias do mal,

em que dirás:

'neles não tenho prazer algum'
Antes que

o fio de prata se rompa
& a taça de ouro se parta..."

Abra a porta e vá entrando,

Eu me proporcionei.

Agora a ti me dirijo:

O teu sorriso me convenceu.

A lua era vista por côncavas

mínguas, salientes a arestas.

Crepitastes madrugadora

& vermelhidão da aurora

espalhou-se,

a mesma vinha que ora doura

no crepúsculo retraístes.

Cientes todos que os corpos

rigorosamente não se tocam,

os jovens que
desejam burlar as leis da física
na fricção incessante e sentida

acendem a lareira silenciosa
na resistência contrária ao fluxo.

Ó meus amados ossos,

que nem são meus exceto

pelos sete anos que os trago,

vive o dia como rangem!

Ao fio

sente-se os frios do outono

as colunas

& calor amenos,

A medula licorosa.

Langorosa melodia,

Células de um só dia,

que te as une a mim?

Curumim, quem te deu a face linda?

Rouxinol de asas douradas quê as uniu?

Não desperdiço uma gota

Do que me permite.

Ó vermelhos é minha febre,

únicas coisas que me sabem

os estados de alma únicos,

o lavor de minhas túnicas.

Minhas malhas de espécies

Memoriosas, Escarmento.

Para a saúde dos lábios

o beijo artístico elástico.

Tabuleiro de runas desmanchado,

Nas sem fim fraturas;

Futuras ruínas do anfiteatro,

o porvir é questão de tempo.

Molda o epitélio tecido plástico

que é teu imaginar o sonho da matéria...

O devir afeito é ao sonhar,

& sem dormir do mesmo modo,

trago do oceano magnético

o molde da substância que nem o é,

tanto o seja uma entidade de todas qualidades:

tocável e não, visível e não, crível e não,

amável e viva.

O pouco atrabilário

Limite escaldério que

Não me houver de ver

é via para o prazer do oposto,

a lira e o arco quando lhe tanjo

o ângulo da corda.

Dor e morte e vida e deleite

de um extremo a outro do arco.

Dê-me as mãos para beijar-lhas,

ao clarão da lareira

tu quando dai-me lírios...


A vantagem do corpo

é não ter fim o renovar-se.

Que na tua vida de tudo tenhas vinte.

Vinte anos, poemas de cor,

técnicas e saberes,

vinhas e cores,

misturas e toques.

Flexões & abdômen,

o dólmen rijo

de cento e vinte flexões.

Irrompo as membranas

Que antecedem o sol,

& erijo no topo o broto

Pela respiração e influxos

Que coadunam a rigidez macia do sexo.

As pernas a vinte quilômetros por ora,

& pelo menos o dobro de rota diária,

O derredor acometido freme...

Ao revérbero de meus passos.

Aos andrajos, sustos aos enganos,

Os que me não suportam.

Quem é firme balanceia

& quem titubear tombará;

A!

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